sábado, julho 01, 2006

show do Blue Bell ...

Esse segundo show me fez lembrar a época do Prima Causa, minha antiga banda. Tocávamos quase todo final de semana e, estávamos sempre correndo de um lado para o outro agendando shows e acertando novas datas com produtores e donos de casas noturnas. A internet ainda engatinhava e não existiam sites, blogs ou comunidades virtuais. O nosso trabalho era baseado na divulgação entre os amigos e através de zines e filipetas distribuidas em shows pela cidade. Foi um período bastante divertido em que aprendemos muito com todas as adversidades que encontramos pelo caminho. Apanhamos com erros de produção e aprendemos a conduzir as coisas da nossa própria forma . Pena, que tudo terminou. Ficaram as amizades, as boas lembranças e a certeza de que vale a pena lutar por um grande sonho.

Bem, voltando ao Blue Bell, ou melhor, ao segundo show, o clima era de embalo. Havíamos tocado há poucos dias no 92 Graus e estávamos super empolgados com a idéia de que uma agenda estava sendo formada. Fora esse show, mais duas datas já estavam sendo acertadas. No entanto, essa apresentação nos fez ver o quanto tínhamos que mudar o rumo do trabalho para que as coisas viessem a acontecer da maneira como sempre desejamos. Por mais que as músicas falem por si só - na nossa opinião, é claro - a necessidade de uma produção se fez presente. Vi o quanto só nós escutávamos os arranjos das músicas com clareza. Percebi que o formato que nós havíamos escolhido para as apresentaçãoes, jamais funcionaria na prática. Ficou clara a necessidade de mudança. Outra coisa que ficou clara, é que nós não podemos sair por ai tocando com bandas totalmente díspares. Essa noite me fez lembrar de dois shows antológicos e inusitados. Ambos, inclusive, foram realizadas no Rock'n Rio. O primeiro, aconteceu quando o Erasmo Carlos foi bombardeado por um mar de vaias orquestradas pelos metaleiros no 1o Rock'n Rio. Tornou-se impossível a apresentação dele. O cara foi simplesmente massacrado por um público que estava ávido por ouvir heavy metal. Outra apresentação que ficou marcada pelo erro grotesco da produção foi a noite em que o Lobão se apresentou junto com a bateria da Mangueira em um dia dedicado ao metal. São estilos que não se afinam, propostas totalmente díspares e conceitos opostos o que torna bastante difícil a relação entre esses públicos. Por isso, selecionar os shows é algo que faremos daqui para frente. Não que haja algum tipo de preconceito da nossa parte, mas, para o público, muitas vezes se torna chato ter que assistir ao show de uma banda com um estilo totalmente diferente daquele que ele normalmente curte.

O show em si, foi bem mais tranquilo e produtivo do que o anterior. Não me perdi no meio de comentários extensos e observações descabidas. Concentrei-me apenas nas músicas. Precisava ouvi-las sem influências externas. O alcool, na primeira apresentação que fizemos, me tirou todo e qualquer senso crítico. Não conseguia lembrar com nitidez dos acontecimentos passados. No entanto, para essa segunda apresentação, guardei comigo, a vontade de acertar e a necessidade de me fazer entender. Não podia cometer os erros anteriores nem tampouco me deixar levar pela ocasião. Existia uma necessidade enorme de auto conhecimento e isso só seria possível a partir do momento que eu estivesse totalmente lúcido, algo que desta vez aconteceu.

Para os próximos shows fica a certeza de muito trabalho, empenho e dedicação.

segunda-feira, maio 01, 2006

o retorno ...

Dia 22 de dezembro rolou a estréia que eu tanto esperava. Depois de um longo período de inverno, voltei a pisar em um palco e a participar de um show. Tudo que eu senti, foi uma enorme alegria que parecia não ter fim. Em vários momentos, cheguei a pensar que isso não voltaria a acontecer e que, teria que conviver com a música apenas como um espectador. Deixei para trás, toda a frustração que senti com o término do Prima Causa. Os 30 minutos, de duração do show, foram de entrega total. Precisava esquecer tudo, e o fiz. Sepultei o passado e cantei cada nova melodia com o mesmo sentimento de antes. São novos arranjos, novas idéias e sobretudo, um novo formato. Quero, e pretendo, levar adiante o mesmo e velho bom sentido de banda. No entanto, se tiver que sair por ai acompanhado apenas por minha guitarra e um monte de aparelhos eletrônicos, farei com a mesma convicção do passado. Gosto e continuo nutrindo um enorme interesse por trabalhar em grupo, mas, tenho plena consciência das dificuldades que cercam esta escolha. Tudo torna-se simples quando o resultado é algo aparente e imediato, mas, quando envolve dedicação, empenho e paciência a estória muda um pouco de figura. Hoje, lido com esta realidade com um desembaraço tão grande, que as vezes me espanto ao perceber o quanto mudei. Não tenho mais medo de arriscar, nem mesmo, de seguir sozinho por esse novo caminho.

Bem, cheguei cedo o suficiente para beber todas as cervejas que tinha direito e perceber, que isso não ajuda a melhorar o desempenho no palco. Como o meu intuito era realizar um show totalmente desprovido de qualquer tipo de glamour, relaxei e me concentrei apenas nas canções. Pude trocar figurinhas com outros músicos, conversar sobre novos shows e não mais sobre produções. Pude combinar de me apresentar em outras casas e participar de novos projetos. Pude sentir novamente a ansiedade por subir no palco. Pude esperar por um aplauso como qualquer outro músico quando termina uma canção. Pude ter a certeza de que é isso que eu realmente amo na vida. Não estou perocupado em gravar um disco e ficar famoso. Estou perocupado, sim, em colocar para fora todas as minhas idéias, emoções e fazer com que elas cheguem ao maior número de pessoas possíveis. Tenho um prazer enorme em tocar para um grupo de 10 pessoas da mesma forma, que sinto prazer em me apresentar para uma pequena multidão.

Enfim, voltei !!!

sexta-feira, abril 07, 2006

Se eu fosse você ...

Se eu fosse você, assistiria ao filme estrelado pela Glória Pires e Tony Ramos, "Se eu fosse você". Além de ser um filme leve e divertido, nos leva a uma constatação muito bacana que, o cinema nacional deixou, de uma vez por todas, para trás a imagem vulgar que carregou por longos anos. Sabemos o quanto existem filmes nacionais de excelente qualidade, apesar das produções serem extremamente precárias. Mas, aquela época era de aprendizado e pouquíssimos recursos, algo que ainda hoje impera apesar do desenvolvimento do nosso cinema. Muitos produtores ainda operam verdadeiros milagres para conseguirem colocar de pé projetos que muitas vezes ganham teias em prateleiras por falta de verbas. Investidores ainda teimam em analisar este segmento, como também os esportes, como algo que não vem a ser prioridade. Existem leis de incentivo que são pouco exploradas devido a falta de conhecimento da grande maioria. O governo, infelizmente, não divulga as leis de incentivo a cultura, o que faria, que muitos empregos fossem gerados, possibilitando assim, oportunidades em uma área que, quase sempre, consegue despertar o interesse de todos.

Voltando ao assunto ... o filme relata a troca de personalidades de um casal e os conflitos e dúvidas causados por isto. A dificil tarefa de administrar essa situação, faz muita gente morrer de rir no cinema. Apesar do ritmo de comédia, o filme pode levar a uma reflexão sobre os problemas do cotidiano. A falta de tempo, o ritmo frenético dos dias e a constante exigência que a sociedade nos impõe de que devemos ser pessoas de exito e sucesso. Mas, fiquem tranquilos, que não é nada tão explícito assim.

Enfim, assista ao filme e saia de casa com a certeza de que você terá uma noite leve e agradável. No final das contas você vai perceber o quanto é importante dedicar algum tempo ao seu lazer, mas não se esqueça de comprar a pipoca. Cinema sem pipoca não é a mesma coisa. Eu que o diga!

sábado, março 11, 2006

Devagar e sempre ...

Sei o tempo que estamos investindo nessa pré-produção. Muitas vezes, tudo parece lento demais, no entanto, hoje percebemos o quanto é necessária a paciência. Despreza-la, é o mesmo, que cometer um grande erro. Todas as tentativas anteriores, apesar de frustradas, só nos fizeram amadurecer. Hoje encaro com naturalidade as dificuldades e vejo com nitidez a evolução de todo o processo. Deixamos pra trás todos os contratempos e passamos a investir na execução. Os planos, enfim, sairam da prateleira e ganharam espaço em nossa rotina diária. Compramos a idéia de destinar um tempo aquilo que realmente amamos fazer. Música ! Para isso, não poderíamos medir esforços e assim, temos feito. Eu e Gustavo, estamos nos encontrando regularmente e as músicas estão ganhando forma. Aos poucos, nós percebemos o quanto elas estão ficando bacanas. Acho que uma das maiores virtudes deste trabalho, é exatamente o fato de nós o termos deixado totalmente livre. Em momento algum, o conceito se tornou mais importante que a música. A pré-produção vem sendo feita de forma natural e sem a preocupação de nós alcançarmos um resultado já pré-determinado. A liberdade que nós adotamos vem produzindo um resultado bacana e bem diferente daquele que eu imaginava inicialmente para as músicas. O conceito virá com a continuidade do trabalho.

sexta-feira, fevereiro 24, 2006

Um passo atrás ... Dois, a frente !!!

As vezes é necessário dar um passo atrás para que nossos objetivos sejam alcançados. Só conseguimos avançar, a partir do momento que reconhecemos nossos próprios erros. Frequentemente nos vemos cercados por situações que nos levam a uma reflexão nem sempre tão agradável. Parar e analisar o andamento de nossas vidas nos faz entender a importância da ociosidade. Quase não temos tempo para nada. Dividimos o dia de maneira que ele se torne bastante produtivo, porém, as horas são sempre poucas diante das nossas necessidades diária. Recentemente, me vi tendo que tomar uma decisão não tão simples assim. Esbarrei no desejo de contornar o inevitável e nem por isso, consegui me livrar da obrigação de resolver o problema. Acho incrível a capacidade que o ser humano tem de se repetir. Normalmente, quebramos a cara umas duas ou três vezes antes que consigamos contornar um determinado fato. Deixar de lado os pudores e encarar os problemas com a sabedoria dos sábios leva tempo e demanda empenho e dedicação. Sendo assim, não basta apenas estar ciente de uma determinada necessidade e sim, ter o bom senso de resolve-la. Para isso, amparei-me na lógica. Não podia continuar convivendo com algo que estava me incomodando ao extremo. Sofri por dias, mas, finalmente, me vi livre do mal estar. Agora, basta levar adiante a decisão tomada.

terça-feira, fevereiro 14, 2006

aos trancos e barrancos ...

Acabei de chegar em casa !!! São 00:55 hr e o sono é tremendo !!! Não sei como venho conseguindo reunir forças para levar adiante, com tanto interesse, todo esse processo de pré-produção. Hoje passei 3 horas direto na frente do computador, junto com o Gustavo, desenvolvendo as músicas que farão parte do nosso ep de estréia. Estou, simplesmente, exausto. Tudo que quero é deitar e dormir, mas, não conseguiria fazer sem antes deixar registrado esse momento de enorme cansaço. Amanhã, já recuperado, prometo escrever sobre o desenvolvimento do nosso trabalho, ok? Fui ...

sábado, fevereiro 11, 2006