domingo, julho 11, 2010

ilha das flores

Ilha das Flores, é um ácido e divertido retrato da mecânica da sociedade de consumo. Acompanhando a trajetória de um simples tomate, desde a plantação até ser jogado fora, o curta escancara o processo de geração de riqueza e as desigualdades que surgem no meio do caminho. O documentário de Jorge Furtado, filmado em 1989, prima pelo bom gosto estético ao mesmo tempo que viola a postura pseudo-correta adotada pelos conservadores de plantão. Ilha das Flores é um tapa na cara da sociedade de consumo desenfreada e um alerta, franco-atirador para todos que usam de bom senso. Como se não bastasse, o documentário produzido pela Casa de Cultura de Porto Alegre, traz o genial Paulo José como locutor dessa obra repleta de sensibilidade e que mostra, claramente, como conduzimos nossas vidas e o mundo em que vivemos. O vídeo, aborda o cotidiano com uma sutileza ímpar, fornecendo todos os elementos necessários para que pensemos onde estamos errando e como estamos agindo. Para alguns, o senso de humor do documentário, bem como, a narrativa inteligente adotada por Jorge Furtado podem soar engraçada e até mesmo cômica. No entanto, por trás do formato leve e despojado, existe uma forte e séria critica social. Os treze minutos do documentário Ilha das Flores são mais do que suficientes para mostrar a dura realidade que vivem milhares de pessoas por este país. É uma breve síntese do que deveria estar sendo seriamente debatido pelo mundo afora. Não em reuniões de interesses pessoais, mas em palestras sérias capitaneadas por pessoas de bom coração e desprovidas de vaidades. Acontecem, eu sei ! Mesmo que não sejam na velocidade do vento ou mesmo, no tempo que gostaríamos. São inúmeras as iniciativas due são diariamente tomadas por aqueles que enxergam com nitidez a gravidade do problema mas ainda insuficientes diante dos acontecimentos. Deveríamos realmente fazer algo ao invés de apenas ficar cobrando soluções. Ilha das Flores é um fiel retrato do nosso Brasil de desigualdades sociais e um alerta para o futuro que nós mesmos estamos construindo.

Abaixo um pequeno texto sobre o curta que está disponível na net.

De forma ácida e com uma linguagem quase científica, o curta mostra como a economia gera relações desiguais entre os seres humanos. O próprio diretor já afirmou em entrevista que o texto do filme é inspirado em suas leituras de Kurt Vonnegut ("Almoço de Campeões"/ "Breakfast of Champions") e nos filmes de Alain Resnais ("Meu Tio da América"/ "Mon Oncle d'Amérique"), entre outros.

O filme já foi acusado de "materialista" por ter, em uma de suas cartelas iniciais, a inscrição "Deus não existe". No entanto, o crítico Jean-Claude Bernardet (em "O Cinema no século", org. Ismail Xavier, Imago Editora, 1996) definiu Ilha das Flores como "um filme religioso" e a CNBBIlha das Flores foi eleito pela crítica européia como um dos 100 mais importantes curtas-metragens do século. (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil) concedeu ao filme o Prêmio Margarida de Prata, como o "melhor filme brasileiro do ano" em 1990. Em 1995,

O curta está listado no livro "1001 Filmes para Ver Antes de Morrer", organizado por Steven Jay Schneider.

domingo, julho 04, 2010

SIDEWAYS


Ainda não sei quais são os filmes que irão passar na Sky hoje à noite, mas, o motivo deste texto, é tentar descrever um filme incrível que, finalmente, consegui assistir durante a semana passada.

Várias foram às vezes que estive na locadora para alugar “SIDEWAYS”, ou mesmo, trocar o já alugado DVD por outro, que talvez funcionasse no meu player. Devo ter tentando assisti-lo, pelo menos, quatro vezes nos últimos anos, porém, todas as tentativas foram em vão. Simplesmente, o DVD não rodava no meu player, muito menos, no meu PC. Senti-me frustrado com tantas tentativas sem resultado algum. Aqueles que me são mais próximos sabem o quanto eu gosto de filmes classificados como “artísticos”. Alguns gostam de chamá-los de filmes B, outros preferem rotulá-los de filmes estrangeiros e outros são mais sinceros ao afirmar que os consideram chatos. Na realidade, os filmes artísticos são apenas filmes que possuem um ritmo ou mesmo, um enfoque, diferente daqueles que estamos acostumados a ver lançados por Hollywood. São filmes que tratam os assuntos com mais naturalidade, abordam os temas sem as expectativas comuns ao mercado comercial e primam, quase sempre, pela simplicidade. São filmes produzidos de maneira mais livre, longe dos pragmatismos da indústria cinematográfica e em alguns casos, com orçamentos bem mais modestos. Sideways, certamente, está nessa classificação.

Dois amigos desiludidos com suas vidas decidem fazer uma viagem pela Califórnia antes do casamento de um deles - uma aventura regada a vinho e conversas sobre relacionamentos, mulheres, desilusões e dissabores da vida. Um roteiro apaixonante que nos prende do início ao fim. Resolvi colocar no meu blog uma critica escrita pelo Pablo Villaça que sintetiza muito bem o que vem a ser o filme. Dêem uma lida no texto e assistam ao filme que, sem sombra de dúvidas, é maravilhoso!

Dirigido por Alexander Payne. Com: Paul Giamatti, Thomas Haden Church, Virginia Madsen, Sandra Oh, Marylouise Burke, Jessica Hecht, Missy Doty.

Com apenas quatro longas-metragens em seu currículo, o diretor Alexander Payne já conseguiu se estabelecer como um dos autores mais interessantes do atual Cinema norte-americano. Contando sempre histórias que giram em torno de personagens ambíguos que seguem obviamente a definição clássica do anti-herói, Payne leva o espectador a se envolver com figuras que, em produções menos ambiciosas, seriam retratadas como seres desagradáveis e repulsivos. Mas há um elemento adicional que une Ruth (Ruth em Questão), o professor Jim McAllister (Eleição), o aposentado Warren Schmidt (As Confissões de Schmidt) e o escritor Miles Raymond (deste Sideways): a insignificância, o sentimento de que são apenas uma nota de rodapé no catálogo telefônico.

Baseado no livro semi-auto-biográfico de Rex Pickett, Sideways – Entre Umas e Outras acompanha uma semana na vida de dois personagens: o professor de escola primária Miles, que aguarda ansiosamente a resposta de uma editora que pode vir a publicar seu primeiro livro, e seu melhor amigo, o ator fracassado Jack, que irá se casar dali a alguns dias. Determinados a aproveitarem ao máximo seus últimos dias juntos como solteiros (Miles é divorciado), os dois partem em uma viagem por uma região da Califórnia conhecida por suas vinícolas, já que o professor (que também é enólogo) quer ensinar ao colega um pouco mais sobre os diferentes tipos de vinhos – aproveitando para embebedarem-se no processo, é claro.

Pois o fato (que o filme jamais escancara, permitindo que o espectador o perceba sozinho) é que a erudição de Miles sobre vinhos é uma fachada conveniente para seu alcoolismo: com suas ambições artísticas frustradas, seu casamento fracassado e sua crônica falta de dinheiro, o sujeito leva uma vida medíocre – e tem consciência disso. Assim, sua paixão `acadêmica` pela bebida não apenas permite que ele fuja da realidade através do álcool como também adiciona um toque de sofisticação a uma existência prosaica - sua fascinação pela enologia é mais do que fruto de sua atração por vinhos; é, principalmente, um desejo de se diferenciar de seus `pares`. Miles é, afinal de contas, um ser humano falho como todos nós – o que não o torna `mau`, apenas patético. Quando ele rouba dinheiro da própria mãe, percebemos que não se sente bem fazendo aquilo, mas só compreendemos a dimensão de sua vergonha quando descobrimos que ela emprestaria a quantia ao filho caso este pedisse: para Miles, seria mais desonroso confessar seu fracasso profissional do que simplesmente furtar parte das economias da mãe.

Criando um personagem complexo e real, Paul Giamatti oferece outra atuação estupenda – e é inacreditável que a Academia tenha lhe negado uma merecida indicação ao Oscar pelo segundo ano consecutivo, depois de já tê-lo injustiçado ao ignorar Anti-Herói Americano. Ao longo de Sideways, Giamatti leva o espectador a compreender a dor de Miles e mesmo a perdoá-lo por suas fraquezas – e, no processo, protagoniza uma infinidade de momentos memoráveis que causariam inveja em qualquer ator. Cito apenas três exemplos que, sozinhos, já seriam mais do que o bastante para garantir a indicação do ator a qualquer premiação (e que, juntos, transformam o erro da Academia em um tropeço imperdoável):

  1. Depois de consumir mais vinho do que o recomendado, Miles comete o erro de `beber e telefonar`, ligando para a casa da ex-esposa tarde da noite. Observe o comportamento de Giamatti nesta cena e perceba como o sujeito tenta soar jovial ao mesmo tempo em que seus olhos traem toda a sua dor – e como, aos poucos, ele não consegue deixar de expor seu rancor. Aliás, é comovente vê-lo utilizando uma das chantagens emocionais mais primárias entre ex-amantes, quando diz que não vai ao casamento de Jack apenas na esperança vã de ouvir a ex-esposa dizer que quer que ele vá.
  2. Durante uma conversa com a garçonete Maya, Miles explica por que aprecia tanto o vinho Pinot Noir, citando, com tom de mágoa, a fragilidade da uva e a necessidade de que o vinicultor saiba apreciar seu potencial, protegendo-a e valorizando-a. Naquele momento, fica óbvio para a moça (e para o espectador) que ele está falando de si mesmo – e o olhar de vulnerabilidade de Miles deixa claro que ele tem plena consciência de estar se expondo mais do que o habitual.
  3. Mas o grande momento de Paul Giamatti surge quando Miles ouve determinada notícia que claramente o deixa abalado. Porém, o brilhantismo da performance do ator reside na forma com que ele tenta esconder a dimensão do choque que sofreu: esforçando-se para sorrir, Miles procura conter as lágrimas, mas podemos perceber o tremor de seus lábios, os olhos umedecidos, a dificuldade com que respira e a oscilação de sua voz. Um instante como poucos na carreira de um ator magnífico.

Enquanto isso, Thomas Haden Church consegue a proeza de levar o espectador a gostar de Jack, mesmo que este se revele um canalha egocêntrico que, em busca de satisfação sexual, não hesita em contar graves mentiras à amante, uma mãe solteira (a sempre interessante Sandra Oh, esposa do diretor Payne). Neste caso, a força da composição de Haden Church reside na vivacidade de Jack, com seu jeitão de garotão de meia-idade e seu sorriso aberto e tolo. Impulsivo e inconseqüente, o sujeito nos faz acreditar que, de certo modo, acredita nas mentiras que conta – e sequer passa por sua mente a possibilidade de que possa vir a ferir quem quer que seja com suas fantasias. Com isso, é impossível, para o público, deixar de comover-se quando Jack finalmente enfrenta um momento de surpreendente vulnerabilidade.

Fechando o elenco, vem Virginia Madsen, que compõe a personagem mais centrada do filme: sensata (ainda que profundamente romântica), Maya revela sua compreensão sobre a personalidade de Miles em uma cena de incrível sutileza do longa, que provavelmente passará desapercebida por muitos espectadores: ao descobrir que a garçonete está fazendo mestrado em horticultura, Miles expressa um espanto tão grande que, embora ele manifeste sua admiração pelo esforço da garota, se torna óbvio que ele a subestimara – e, ainda que sinta-se ofendida por alguns segundos, Maya logo demonstra sua maturidade ao mudar de assunto com imenso tato. Além disso, Madsen protagoniza outra cena belíssima ao explicar de onde vem o interesse de sua personagem por vinhos (e sua eloqüência é tamanha que testemunhamos o segundo preciso no qual Miles se apaixona pela moça).

Dirigindo o filme com inteligência, Alexander Payne sabe exatamente quando se aproximar dos personagens (em closes reveladores) e quando se manter afastado (como ao respeitar o embaraçoso momento entre Miles e Maya na cozinha). Da mesma forma, o cineasta sabe que o olhar é algo fundamental em um filme tão intimista quanto Sideways e, por esta razão, procura sempre capturar a reação de um personagem ao que é dito para outro (um exemplo: quando a mãe de Miles o aconselha a se casar novamente, Payne não busca a reação óbvia, que seria a do próprio escritor, mas sim a de Jack, que estuda o amigo para ver como este receberá o conselho). E não há como não admirar a fotografia reveladora de Phedon Papamichael (também injustiçado pela Academia), que situa Jack sempre sob a luz do sol ao mesmo tempo em que mantém Miles na sombra – situação que só muda quando o protagonista finalmente se sente feliz pela primeira vez em muito tempo, quando, então, o filme se enche de cores e brilho.

Porém, talvez eu tenha deixado de fazer justiça a um elemento fundamental de Sideways: seu humor. Trazendo várias cenas divertidíssimas que certamente levarão o público às gargalhadas, o roteiro de Payne e seu parceiro habitual Jim Taylor consegue fazer rir por compreender que as situações engraçadas só funcionam quando integradas de maneira orgânica aos demais elementos da história – e, por acreditarmos naqueles incidentes, os consideramos ainda mais hilários.

É verdade que os personagens de Sideways caminham (metaforicamente, é claro) de lado, como o título original aponta com inteligência: presos em uma situação de constante mediocridade, Miles e Jack encontram-se no limbo da meia-idade, quando é tarde demais para retroceder a fim de buscar outro caminho e cedo demais para desistir de achar uma nova estrada que os leve adiante. No entanto, mais fascinante do que vê-los encontrar a tão sonhada rota da satisfação pessoal é testemunhar seus tropeços e torcer para que se levantem novamente.

Afinal, não podemos nos esquecer de que, na realidade, estamos todos percorrendo a mesma estrada.

quarta-feira, março 11, 2009

novembros ...





















Sempre fui apaixonado por literatura, porém, nunca consegui ler o tanto quanto eu gostaria. Participei de coletâneas de poesias, escrevi diversos textos ao longo da minha vida e li alguns, mas não tantos assim, bons livros. A minha maior influência, certamente, foi meu avô que desde novo me incetivou a escrever e a conhecer os grandes escritores. Como se não bastasse, a sua amizade com Carlos Drummond de Andrade só fez despertar ainda mais o meu interesse pela literatura. Em dado momento, cheguei a pensar em cursar a faculdade de letras ou de jornalismo, mesmo por que, ele como um grande jornalista não pouparia esforços para me ajudar, mas, o meu temperamento me conduziu a outros caminhos. O tempo passou e jovem, já não mais sou. Ficou o sentimento de prazer e a certeza de que a literatura faria sempre parte da minha vida, como faz até hoje.

Nos últimos anos, resolvi trabalhar a idéia de escrever um livro contando todos os passos que dei com a minha antiga banda, o Prima Causa. Como conheci o Felipe, o Leo, o Bernardo e o Paolo. Tudo aquilo que vivemos como grupo, nossa amizade, nossas brigas, além de fotos e matérias sobre o nosso trabalho. O livro está sendo escrito em passos de tartaruga e um dia, quem sabe, será lançado. No entanto, essa minha iniciativa, me despertou uma outra vontade, a de escrever um romance. Comecei a rascunhar um primeiro livro, escrevi algumas idéias e depois cheguei a conclusão de que aquela estória, para ir adiante, precisaria ser bastante modificada. Inicialmente, eu abortei esse primeiro livro e segui a minha vida. Descartei a possibilidade de escrever um livro. Achei que a minha idéia não passava de uma enorme vontade e só vontade, não é o suficiente para se escrever um livro. Você precisa pesquisar, sentir que a estória é verdadeira, ter o tema bem definido em sua cabeça e sobretudo, desenvolver um bom roteiro. Nesse meio tempo, esbarrei com um determinado acontecimento em minha vida e esse, foi determinante para que a idéia de escrever o romance voltasse com toda força. Resolvi então, novamente, começar a rascunhar a estória e, de lá para cá, só venho aumentando o número de páginas. Sei que ainda estou muito longe de alcançar o meu objetivo e ver esse livro pronto e nem sei se ficará pronto um dia r :) mas, dessa vez eu sei que realmente tenho uma estória em mãos. Estou escrevendo no ritmo de Dorival Caimmy, sem data, nem hora para terminar. Espero um dia sentar e olhar admirado a capa do meu primeiro romance. O livro se chamará "Novembros".

domingo, fevereiro 17, 2008

nada como a sensação de ...








Comprar um bom livro ou um bom cd, definitivamente, é um grande prazer ! Sempre adorei frequentar as livrarias, sebos e lojas de "discos", pena que com o tempo, várias e várias lojas foram fechadas, felizmente, em seus lugares, hoje estão as grandes MegaStores com seuss vastos acervos e infinidade de ofertas. Posso dizer, de cadeira, que é sensacional entrar numa das lojas da Fnac, ou similares, e encontrar todos aqueles títulos a minha disposição. Essas lojas, são a verdadeira Disneylândia para os amantes dos livros, cds e dvds, ou mesmo, para quem gosta de cultura. Outro grande barato, é entrar em um sebo e ter toda aquela liberdade para fuçar a vontade e descobrir alguma raridade ali escondida.. Como nos últimos anos os preços de cds vem caindo vertiginosamente, encontrar bons títulos com valores justos e cabíveis em nossos bolsos, tem se tornado algo corriqueiro. Como estou sempre de olho nessas promoções de mercado, frequentemente, consigo comprar livros e cds com preços super legais. As minhas últimas aquisições foram verdadeiras pérolas encontradas em um grande supermercado aqui de Curitiba. Acabei comprando três cds por R$ 35,00 e no meio desse "pacote" ainda estava o novo álbum do Caetano "CÊ", que por sinal, é maravilhoso -, além dos cds ´"Público" da Adriana Calcanhotto e "As Cidades" do Chico Buarque. Sai do mercado que nem pinto no lixo, feliz da vida e doido para chegar logo em casa. Acho bacana a idéia de poder baixar músicas pela internet e ouvir o quanto antes as últimas novidades. Mas, nada se compara ao prazer de ter o cd físico, de poder tirar aquele plástico e desfrutar da maravilha que é poder acompanhar as músicas com um encarte na mão, olhar as fotos e saber os detalhes da ficha técnica. Sei que sou um colecionador de cds e, adoro isso. Quanto mais tenho, mais desejo ter. E não pensem que sou assim só com grandes discos ou livros conceituados, pois, também sou um aficcionado por novidades. Confesso que quase não tenho saido para ir a shows, mas, no último evento que estive, não me fiz de rogado e saquei os reais para adquirir três cds super bacanas. Comprei um dos cds solo do Maurício Takara, o novo do Hurtmold e um outro deles que eu ainda não tinha conseguido encontrar por aqui. Após o show, troquei algumas figurinhas com o pessoal da banda e voltei para casa com mais três exemplares na minha coleção.
Boas compras pra vocês também !!!

domingo, janeiro 06, 2008

nem tudo são flores ...

Certamente, nem tudo na vida são flores. Vivemos desavenças pessoais e profissionais que nos levam a questionar, constantemente, o quanto desejamos seguir adiante com determinados projetos. No entanto, não sabemos, exatamente, o porque de conduzirmos nossas vidas de uma maneira, que mais parece surrealista do que, qualquer outra coisa. Entretanto, quando paramos para analisar o resultado de nossas decisões, percebemos que todas as pesssoas passam pelas mesmas incertezas que vivemos. Hoje, fazendo um retrospecto da minha vida pessoal, possivelmente, eu tomaria decisões bem diferentes daquela que eu tomei quando tinha 26 anos. Não que haja arrependimento ou rancor em minhas decisões, mas , o desconforto é eminente nessas situações. Sei que fui mal compreendido, e, serei pelo resto de minha vida visto assim. Sei das mas interpretações que causei, como também sei, do quanto fui e sou, execrado pelas decisões que tive que tomar. Não gostaria que a minha vida tivesse tomado o rumo que tomou, mas, não posso me crucificar ou ser crucificado por atos que eu, deveria dividir e compartilhar com outra pessoa. Penso eu, que crucficar alguém por uma decisão que ela se viu obrigada a tomar numa determinada fase de sua vida que, muitas vezes, não é a mais apropriada para se definir algo ou comportamento, pode ser severo demais. Mas, sabemos que a vida é um tanto quanto ingrata, quando o assunto diz respeito a uma ideologia, ou mesmo, aos percalços nela existentes. Constato o quanto envelhecer é bom. A idade nos traz o amparo, e com ele, a certeza de que o tempo é senhor de todas as hora.


Comigo guardo um enorme orgulho de quem sou e da educação que herdei. Acabei por ver, durante esse anos, os desejos e relatos, de como a vida deve ser conduzida. Para muitos, tais opiniões e devaneios sobre a vida, só vem a comprovar que as pessoas deveriam ser mais generosas e menos egoistas. Mas, isso é assunto para mais tarde !!!! Já viajei demais nas minhas confissões nada adolecentes !!! rs









quinta-feira, dezembro 20, 2007

a prática faz o monge

Apesar de tocar alguns instrumentos, nunca me considerei um instrumentista e, tenho a plena convicção de que não sou. Sempre invejei, - no bom sentido, é claro - aqueles que tocam com maestria e sabem, exatamente, o que estão fazendo. Dominam a técnica como ninguém e se utilizam de todos os recursos que a música tem a oferece. Sei que tenho facilidade para desenvolver arranjos, escrever letras e elaborar melodias, mas, quando o assunto é conhecimento musical, me reúno ao grupo dos descontentes. Aqueles que seguem a música por intuição, somente.

Lembro-me do Leo dizendo que ter conhecimento demais pode acabar sendo prejudicial e atrapalhando a construção ritmica, obviamente, quando se trata de música pop. As composições acabam ficando burocráticas demais e sem sentimento. A matemática predomina sobre a emoção. Mas, o que me levou a escrever sobre esse tema, foi justamente, a necessidade de conhecer melhor o instrumento, bem como, executar de forma apropriada os arranjos que desenvolvi.

Não é de hoje que eu tenho uma enorme resistência em tocar música cover. No entanto, sempre gostei de fazer novos arranjos para músicas conhecidas. Acho que dessa forma, eu sinto a música, um pouco, como se fosse minha. Dessa forma, tenho feito alguns arranjos para antigos sucessos, e isso, tem me levado a tocar bastante. Realmente, a prática, faz toda a diferença. Me sinto mais seguro e animado com a idéia de subir em um palco sozinho. Me apresentar sem que eu tenha que ser acompanhado por uma banda. É bom imaginar que dessa forma eu posso tocar em várias cidades sem ter que consultar a disponibilidade de cada músico. Não se pode negar, que ensaios e shows em grupo é algo super bacana. No entanto, hoje é possível colecionar bandas e projetos que não avançaram por falta de entendimento ou disponibilidade entre os integrantes.

Optei pela liberdade e, o último grande passo que dei, foi a aquisição de todos os programas necessários para se produzir música. O que pode soar como uma atitude arrogante ou pretensiosa, nada mais é, que a vontade de se sentir livre. Decidi montar o meu estúdio, aprender a usar os equipamentos e lançar os meus "cds" - cada vez mais essa mídia se torna obsoleta - sem pressa e com as possibilidades que o mercado alternativo tem a me oferecer.

quinta-feira, dezembro 13, 2007

"Margarete" no programa Contramão ...

Hoje eu recebi uma notícia super bacana, que o meu primeiro single "Margarete" fará parte da próxima edição do programa Contramão, que irá ao ar neste sábado dia 15 de dezembro de 2007, sob o comando da minha querida amiga Márcia Brasil. A Márcia, além de ser uma grande incentivadora da cena independente nacional, produz um programa de rádio que vem se tornando referência entre as pessoas que curtem novidades, bem como, gostam de ouvir boa música. Em tempos de internet, onde as rádios se tornaram um veículo, totalmente, manipulado pelas grandes gravadoras, poder desfrutar de boa informação é, sem sombra de dúvidas, uma grande oportunidade. Tudo se tornou tão fácil, que o grande papel do radialista, ficou um tanto quanto esquecido. A decadência das grande rádios e o surgimento da internet, fez com que as pessoas, migrassem para a grande rede mundial. Felizmente, a web veio para democratizar a informação e, dar oportunidade a todos, sem preconceito. Através desse veículo, podemos conhecer tudo que está sendo produzido por esse mundo afora.

http://contramao.podomatic.com/

beijso e abraços !

sábado, outubro 27, 2007

muito além do jardim ...

Nem sempre as coisas saem como planejamos. Quando olhamos, nos damos conta de que o tempo mas parece esquecer dos nossos anseios do que qualquer outra coisa. Ficamos a mercê da "sorte", cultivando um desejo que muitas vezes demora léguas para acontecer. A paciência, certamente, é prima irmã da sabedoria. É ela que dita as regras do jogo, que move todo cidadão, que nos faz cumprir o papel, com esforço, da determinação e transforma tudo isso numa grande missão. Vez por outra, a vontade de desistir bate a nossa porta e nos convida a dançar o ritmo dos desiludidos. Tamanha é a força que nega o declarado convite ao fracasso. Não conheço uma só pessoa que tenha abandonado um sonho e se considere plenamente feliz. O sonho é inerente do ser humano. Está dentro de todos nós, até mesmo daqueles que não tem coragem para assumi-lo. Tranquilo, declaro, que essas linhas escritas não são fruto de um desabafo, e, sim, uma agradável constatação daquilo que há muito já me foi dito.

Sempre almejei ser parte integrante de uma banda, onde eu pudesse dividir idéias, construir estruturas, contribuir de forma ampla com todos e participar, ativamente, deste resultado. Durante anos persegui isso com unhas e dentes e acabei por constatar uma realidade que há tempos já havia me sido anunciada. A realidade de que só eu estaria a levar adiante as minhas necessidades como músico. De nada adiantaria as minhas inúmeras tentativas de tornar esse meu desejo em um fato consumado. Acabei por aceitar, com resignação, as condições impostas pela vida. Mal sabia eu que todas as adversidades me levariam a uma satisfação sem precedentes. Relutei como nunca, mas, me rendi as possibilidades declaradas por este caminho. Hoje, constato que a minha decisão foi mais do que acertada. Foram necessários anos para que eu descobrisse isso. Agora, estou tentando resgatar o tempo perdido através de muita dedicação e empenho. Somente assim eu pude começar a vislumbrar resultados, até então, sempre comprometidos por frágeis alianças musicais. Ficou o aprendizado e a certeza de que agora estou no caminho certo.

segunda-feira, junho 25, 2007

novos horizontes ...

Enfim, o novo site já está no ar com as primeiras informações sobre o trabalho, como também, os links para audição e download de "Margarete" primeira música que estamos divulgando. Ainda assim, continuamos trabalhando bastante, para que em breve, mais páginas sejam liberadas e o site fique recheado de informações bacanas e dicas legais. Fora isso, fico feliz ao ver que a comunidade no Orkut está ganhando novos amigos. É bom saber que existem pessoas apoiando e torcendo para que o trabalho ganhe maiores proporções. Algumas inclusive, não estão medindo esforços para que isso aconteça. Sinceramente, não sei como agradecer os emails e mensagens de incentivo que estão sempre chegando. Agradecer, novamente, me parece um tanto quanto redundante, mas, é a única coisa que me vem a cabeça. Sinto-me feliz e grato pela quantidade e qualidade dos elogios que venho recebendo. Dizer que isso não me envaidece, seria uma mentira. Mesmo porque, enfrentamos e continuamos a enfrentar muitos obstáculos, mas, sabemos que isso faz parte do processo. Desde questões técnicas até a já tão comum falta de tempo estão presentes a nossa rotina diária. No entanto, tudo que poderia depor contra, ou mesmo, servir de razão para o desânimo, acaba contribuindo para a nossa superação. Sabemos que as dificuldades são inerentes aos novos desafios. Bem, vamos em frente com as forças renovadas e com a certeza de que novos horizontes estão surgindo.

quinta-feira, abril 26, 2007

Margarete (single) agradecimentos ...

Foram meses de trabalho árduo para conseguir chegar a um resultado final bacana. Enfim, acho que conseguimos !!! O primeiro single do futuro EP e, consequentemente, do cd ficou pronto. Ouvir "Margarete" depois de quase um ano de trabalho, nos fez lembrar do início de tudo. De todo trabalho que fizemos de pré-produção. Das dúvidas e incertezas por não entendermos dos programas que poderiam ser utilizados.

Durante este último ano, aprendemos a lidar com a paciência de uma forma especial. Brigamos diversas vezes e rimos tantas outras. Comemoramos cada nova etapa e brindamos as fases vencidas. Os amigos foram especiais, generosos e nos apoiaram sem medir esforços. Foram muitas demonstrações de carinho, zelo e atenção. Hoje, ouvindo a primeira música pronta, só consigo pensar em todos que sempre estiveram ao nosso lado. Lembro e me emociono com os emails recebidos. Sei que a minha comunidade ainda engatinha, mas, tenho certeza que é só uma questão de tempo para que novos amigos venham a participar. Os 62 membros lá cadastrados, jamais serão esquecidos por mim. A minha amiga Mari Neri, com quem eu não falo há muito tempo, estará para sempre em minhas recordações especiais, justamente, por ter sido a primeira pessoa a entrar na comunidade e, desde então, jamais esteve ausente. Por essas e outras que temos a certeza de que todo esforço sempre vale a pena !

Super obrigado por todo carinho !

sábado, fevereiro 10, 2007

de volta ao batente ...

Depois de um mês e meio longe da música, eu e Gustavo, retomamos as gravações com um ânimo bem maior, sem o desgaste decorrente do final de ano.

Sei dizer que ano de 2006 exigiu bastante de nós dois. Foi um ano em que tivemos que estudar os programas que escolhemos utilizar no processo de gravação das faixas e quebramos bastante a cabeça durante vários meses. Saimos, literalmente, da estaca zero. Não sabíamos absolutamente nada dos programas. Foi dando murro em ponta de faca que nós fomos aprendendo a manusear softwares de gravação. Isso sem falar na quantidade de plugins que nós testamos, fora os outros tantos que nós tentamos instalar sem êxito.

Agora já podemos dizer que estamos munidos dos equipamentos necessários e de um aparato que atende as nossas expectativas. Outro fator importante, é o quanto nós estamos nos sentindo seguros em relação as etapas que estão sendo vencidas.. Antes mesmo de pensar em começar a gravar, nós conversamos várias vezes sobre como deveríamos conduzir todo esse processo. Sem sombra de dúvidas, isso nos ajudou bastante. Nos fez ver e entender como funciona cada uma das etapas. Hoje podemos dizer que somos capazes de realizar um trabalho de produção com qualidade, justamente, por que não tivemos pressa e nem medimos esforços para aprender.

Hoje, temos certeza que o resultado final será aquele que desejamos !!!

domingo, fevereiro 04, 2007

rio de jano ...

Já divulguei inúmeras vezes esse documentário dos diretores Anna Azevedo, Eduardo Souza Lima e Renata Baldi. Agora, resolvi publicar uma resenha que foi escrita pelo jornalista Evaldo Mocarzel do jornal do Brasil que descreve o filme com todos os seus predicados. Então, senhoras e senhores, com vocês, Rio de Jano !!!

Leve como um sábado de praia

Filmar o Rio é uma tarefa difícil para qualquer documentarista. A imagem da cidade já foi focalizada de tantos ângulos e maneiras, com propostas estéticas que vão do bairrismo ufanista à mais cruel vontade sensacionalista de inundar de violência a exuberância paisagística desse cenário maravilhoso entre o mar e a montanha. É realmente complicado encontrar um recorte inusitado nesse mosaico de praias verdejantes e tiroteios sanguinolentos.

Rio de Jano é, com toda certeza, um novo olhar sobre a vida carioca. Um olhar tocante, porque guiado por uma constante pulsação humanista, quase sempre o melhor caminho para qualquer documentário, diga-se de passagem. Os diretores Anna Azevedo, Eduardo Souza Lima e Renata Baldi são fãs da cidade, não dá para negar. Mas não se deixaram levar por aquela cegueira que costuma tomar conta dos cariocas mais xiitas, principalmente mineiros e gaúchos, que tendem a adotar o Rio com um furor fundamentalista assustador.
O crítico e ensaísta Jean-Claude Bernadet costuma dizer que não há alteridade em nenhum documentário, mas sempre ''euteridade''. Melhor dizendo: o documentarista está sempre colocando o próprio ponto de vista no filme, mesmo que esteja arduamente tentando projetar na tela a cultura do ''outro'', ou seja, do seu entrevistado. Rio de Jano é um belo exemplo de um exercício de alteridade bem-sucedido. Os diretores conseguiram focalizar a cidade e sua gente com a visão irreverente, engraçada, carinhosa e humanista do desenhista francês Jano.

Rio de Jano resgata uma cidade que parece um pouco esquecida no meio de tanta macumba para turista. O filme foge desta encruzilhada empobrecedora como o diabo foge da cruz. É interessante comentar que o diretor Marcos Bernstein e o diretor de fotografia Toca Seabra foram buscar inspiração na atmosfera de solidão dos quadros de Edward Hopper, riscados por brancos fachos de luz do sol, para filmar a Copacabana de O outro lado da rua sem tropicalizá-la de maneira caricata. É engraçado que a imagem do Rio tenha sido tão folclorizada que pontos de vista de estrangeiros afetuosos e clarividentes como Jano são uma espécie de alento para vermos a ''Cidade Maravilhosa'' sob novas luzes, menos carnavalizadas.

Rio de Jano é um documentário delicioso, que flui na tela como um sábado de praia, conduzido pela bela trilha de Lucas Marcier e Rodrigo Marçal. A direção de fotografia é assinada pelo mestre Mario Carneiro, em parceria com André Vieira. Programação obrigatória para brasileiros e estrangeiros que amam um Brasil que está muito além dos estereótipos que costumam encobrir a essência da vida carioca.

Evaldo Mocarzel - Cineasta, diretor de 'À margem da imagem'

o dvd já está disponível em várias locadoras do Brasil.

http://www.hybrazilfilmes.com/riodejano/

quarta-feira, dezembro 27, 2006

sombra e água fresca ...

Não me lembro, exatamente, quando foi a última vez que tirei uns dias férias para viajar e descansar um pouco. São anos trabalhando a fio, sem parar ou então, vivendo momentos de transição onde eu estava envvolvido com problemas pessoais ou com o desenvolvimento de novos projetos e, por isso mesmo, mais preocupado ainda em acelerar os processos de abertura e, consequentemente, entrada de dinheiro, pois os compromissos, como bem sabemos, não param.

Mas, voltando as boas ... rsrsrs dezembro foi o mês em que aconteceu essa breve parada. Esse hiato no tempo. Essa pausa providencial em minha vida. Foram apenas dez dias longe da rotina diária e dos compromissos regulares. Dez dias onde pude acordar tarde, tomar café e ficar horas lendo tranquilamente um bom livro. Nesses dez dias eu fiz da lentidão minha morada rsrsrs e do sossego amparo para todos os meus devaneios. Deixei a pressa do lado de fora da casa e pensei na vida com os olhos da reflexão. Pude caminhar descalço pelas areias de Camboriú, visitar as praias próximas e dar um pulo em Brusque.

Ouvi a exaustão, o último cd do Beck "Guero" e me entreti lendo "100 anos de solidão". É impressionante como esquecemos dos problemas da vida lendo as páginas de um bom livro. Se estes estiver acompanhado das suas merecidas férias, melhor ainda. Sei dizer, que passar horas a fio na companhia da minha querida esposa e, podendo desfrutar de tudo aquilo que gosto de fazer, porém, quase não tenho conseguido arrumar tempo, foi mágico e necessário. Não podemos dedicar a nossa vida somente ao trabalho. A ociosidade frequente pode ser um grande problema, mas, na medida certa é a solução vital.

Fotos, quitutes, cervejinha gelada, praia e passeios gastronômicos completaram a diversão !!!

domingo, dezembro 17, 2006

novos tempos ...

Os últimos dias tem sido de extrema exaustão pra mim. Não sei como tenho conseguido reunir forças para tratar das coisas relacionadas a minha música. Parece que aumenta cada vez mais a quantidade de coisas que temos que realizar diariamente. Registro das músicas, pagamento da hospedagem do site, desenvolvimento da arte da camiseta, projeto gráfico do EP, mixagem e masterização das músicas, ensaios, concepção do cenário do show, desenvolvimento da segunda edição da festa RockPop&Afins! e muitas outras coisas mais. O mercado alternativo está caminhando para a profissionalização e, todos esses detalhes, que antes pareciam exagerados, hoje nada mais são do que a mera organização do meio. Foi-se o tempo do romantismo. A era do empreendedorismo chegou, finalmente, para ficar. Por um lado é bom ! Para aqueles que tem disposição para trabalhar e não ficam apenas sonhando em ganhar milhões de dolares através de contratos com a nossas "queridas" multinacionais, a possibilidade de colocar em prática o famoso lema dos punks "faça você mesmo" foi o que de melhor aconteceu nesses últimos tempos. Isso tudo, é claro, devido a nossa querida internet. Sem ela, ainda estaríamos confeccionando zines de papel para divulgar nossos trabalhos e engatinhando rumo a distribuição de cds.

Bem, nesse período que eu resolvi entrar de cabeça nesse mercado, vi o quanto o despreparo assola a grande maioria que lida com artes. São pessoas que ainda vivem o deslumbre das grandes gravadoras e que amargam a impossibilidade do sucesso. Digo isso, por que o sucesso para essas pessoas quase sempre está relacionado a tocar no Faustão, ter uma super exposição na mídia , ser reconhecido na rua e vender milhões de cópias. Bem, o que eu desejo não é nada disso e sim, formar o meu público, lentamente, lançar meus "discos" e sair por ai com as minhas mini turnês tocando para aqueles que realmente gostam do meu trabalho, não para os modistas de plantão que te esquecem depois de um ano. Há muito tempo, que eu digo que o caminho era a independência por total. Quando estive no escritório do Pierre Aderne ( Panela Music ) lá em Ipanema conversando sobre um possível trabalho em parceria, o mercado já dava os primeiros indícios de independência. Naquela ocasião, os cds bíblicos do Cid Moreira já estvam sendo vendidos aos milhões nas bancas de jornais. Lógico, que a estrutura ainda era precária. A internet ainda não tinha essa força de hoje em dia, não existiam selos estruturados, divulgadores especializados nesse mercado, empresas de distribuição e por ai vai. Hoje a realidade é outra. A estrutura permite uma carreira digna e super bacana ,com turnês ao redor do mundo, que o diga o pessoal do AUTORAMAS, e uma vida artistica longe das cobranças e das ilusões vendidas ao longo de anos pelas grande gravadoras. Por isso mesmo, eu não aceito que me venham falar que as grandes gravadoras possibilitam uma projeção diferente e que a visibilidade, através delas, é maior do que o trabalho realizado de forma independente. No final das contas, o que manda nisso tudo, é a questão financeira que pode, tranquilamente, ser arcada com recursos próprios, como também, através de investidores. A maior prova disso, é a lei de incentivo a cultura que está sendo muito bem utilizada por alguns artitas. Pena que ainda seja pequena a parcela de profissionais que fazem uso desse recurso.

Bem Vindo ao Reino Encantado da Fantasia - "Agora o seu sonho pode ser uma realidade" !!!

sexta-feira, novembro 24, 2006

prefácio - " cem anos de solidão" ...

Cem anos de solidão

Gabriel Garcia Marquez

editora record

prefácio

Um comboio carregado de cadáveres. Uma população inteira que perde a mermória. Mulheres que se trancam por décadas numa casa escura . Homens que arrastam atrás de si um cortejo de borboletas amarelas. São esses alguns dos elementos que compõem o exuberante universo deste romanceno qual se narra a míticahistória da cidade de Macondoe de seus inesquecíveis habitantes.

Lançado em 1967, Cem Anos de Solidão é tido, por consenso,como uma das obras-primas da literatura latino-americana moderna. O livro, logo tornou o colombiano Gabriel Garcia Márquez (1928) uma celebridade mundial; quinze anos depois,em 1982, ele receberia o prêmio Nobel de Literatura.

Aqui o leitor acompanhará as vicissitudes da numerosa descendência da família Buendia ao longo de várias gerações. Todos em luta contra uma realidade truculenta, excessiva, sempre a beira da destruição total. Todos com as paixões a flor da pele. E o "realosmo mágico" de Garcia Márquez não dilui a matéria que trata - no caso, a história brutal e as vezes inacreditável dos povos latino-americanos. Pelo contrário: só a torna mais viva.

minha opinião

Vi algumas entrevistas do Gabriel Garcia Márquez, onde ele menciona que muitas passagens do livro são, na realidade, autobiográficas. Acontecimentos corriqueiros do seu passado, foram, magistralmente, incorporados a história. Situações do seu cotidiano foram transportados para o texto com uma habilidade cirurgica. A narrativa é retratada de uma maneira tão singular que a história parece verídica. Não é difícil de acreditar em todo aquele derrame de informações que explora o livro. Apesar de datado, o texto não soa cansativo aos olhos do leitor. Particularidades a parte, "Cem Anos de Solidão" não rompe com a tradição e, sim, faz dela grande aliada.

Depois de vencida as páginas iniciais, a estória torna-de envolvente. Realmente, um grande livro !!!

quinta-feira, novembro 02, 2006

os dois lados de tudo ...

Tenho feito um esforço ENORME para conseguir resgatar o hábito da leitura. Não que meu desejo não seja este, mas, o cansaço que me assola não tem permitido que a minha vontade seja tamanha. Ainda assim, tenho tentado driblar, com a ginga de um Garrincha, os excessos profissionais. Sei que não devemos nos escravizar, nem fazer dos nossos compromissos uma prisão. No entanto, vamos nos envolvendo de tal forma com as coisas que quando nos damos conta, estamos de pés e mãos atados. Sei que já mudei bastante o meu ritmo de vida, mas, preciso que está mudança seja bem mais significativa. Tracei planos, estabeleci metas e coloquei prazo para que os meus objetivos se confirmem. Pretendo, no próximo ano, me dedicar bem mais a música do que fiz até então. Quero que as minhas atividades culturais sejam mais intensas e que o meu trabalho caminhe por si só. Não quero que ele seja tão dependente assim de mim. Hoje, decidi comprar um novo desafio. O desafio de manter o meu sonho cada vez mais presente e, para isso, preciso ter mais liberdade do que venho tendo. Preciso que o meu trabalho exija menos de mim. Não quero deixar que os valores materiais se tonem mais importantes em minha vida que os meus ideais. Sempre fui um sonhador , e, a essa altura do campeonato, não pretendo deixar de ser, está na minha essência. O dia que isto mudar, talvez eu me torne uma pessoa amarga. Só de pensar nessa possibilidade, sinto calafrios. Não consigo imaginar artistas, românticos ou poetas entregues a comportamentos extremamente racionais. Todos que são dados a emoção, trazem em si, o carinho pela vida. Pelas atitudes desprovidas de interesse. Sofredores são todos aqueles que se privam da emoção e fazem disso uma forma de vida. Lamento profundamente por estes que olham para os opostos com um certo ar de inveja.

Pois bem, vejo ao meu lado as páginas consagradas de Gabriel Garcia Marquez. " Cem anos de solidão" já foi imortalizado pela crítica e frequenta as prateleiras dos mais vendidos. Entregar-me a uma leitura datada, densa e rica em detalhes não é tarefa fácil para quem, além da falta de tempo, é um disperso por natureza. Sempre tive dificuldades em me concentrar. Minha mente assume pensamentos díspares com uma facilidade absurda. Não sou o tipo de pessoa que consegue ler com a televisão ligada. Preciso do silêncio para poder tomar as decisões. Preciso da calmaria para que a leitura venha a me entreter. Por isso, que tanto gosto da solidão das noites. É nela que consigo pensar nas letras que tenho vontade de escrever. Durante a madrugada é que saem as melhores frases, as construções que mais me orgulho e os rascunhos mais interessantes. O resto, são quase sempre devaneios que surgem ao longo do dia, no meio do trânsito ou, num estacionamento qualquer.

Nada como as horas serenas de uma boa madrugada onde a vida repousa sem a pressa dos dias.

navegar é preciso ...

Faz um certo tempo que eu não apareço por aqui, mas, a correria tem sido a tônica dos meus dias. Devido a isso, essa semana peguei-me observando o ritmo de vida de algumas pessoas, analisando seus comportamentos perante a sociedade. É incrível como o trabalho nos consome de uma tal forma que, frequentemente, ficamos em segundo plano e, tudo isso, em função dos vários compromissos que assumimos. Não é difícil encontrar pessoas que "só" fazem trabalhar. Essa sobrecarga se dá, ou por uma necessidade extrema, ou mesmo, pelas "armadilhas" da vida. Conquistar a tão sonhada independência financeira e conseguir realizar sonhos é o desejo de nove em cada dez mortais. Sabemos que alguns vão por vias de acesso nada confiáveis, mas, a grande maioria, - ainda bem - é de trabalhadores honestos e verdadeiros cidadãos. Por isso mesmo, sofrem pra burro como todos nós ! Sofrem pela falta de dinheiro, ou pelo excesso de compromissos. Dediquei-me, um dia desses, a prestar atenção no comportamento do pequeno empresário brasileiro. Escrevo sobre isso com certa propriedade por que estou em contato com esta realidade diariamente. Vejo o enorme número de apelos que surgem por melhorias trabalhistas e condições mais adequadas de trabalho. Sei o quanto são validas essa reenvidicações, no entanto, vale ressaltar o empenho, a dedicação e a força de vontade do pequeno empresariado brasileiro que move mundos e fundos por uma situação mais digna da sua empresa como também, de seus funcionários. É comum encontrarmos associações de empregados que lutam pelos seus direitos com um afinco de dar gosto. Mas, poucos, são aqueles que param para analisar as acões dos pequenos empresários brasileiros. Estes são discriminados, destratados e, muitas vezes, ignorados pelo nosso governo. Justamente, por que esses não financiam campanhas e nem ajudam a caçar votos. O pequeno empresário é aquele que conta o dinheiro para pagar as contas, taxas e impostos no final de cada mês e que, prioriza os compromissos com seus funcionários. O pequeno empresário é aquele que luta com dificuldade, mas, não se cansa de buscar alternativas para driblar a crise, é aquele que aposta em soluções criativas e trabalha até 16 horas por dia para fazer valer o sonho de independência. O pequeno empresário é aqule que atura clientes, fornecedores e funcionários pedindo adiantamento de salário. O pequeno empresário é aquele que gera noventa por cento dos empregos deste país e mesmo assim, se vê sem condições inadequadas de desenvolvimento. O pequeno empresário é pai e mãe de família. Digo isso, por que este profissional, além de líder, é também, o responsável por uma série de vidas. Ele carrega em seus ombros, o peso do sustento familiar, não só dele, como também de várias outras famílias. Pessoas que precisam e dependem desses empregos para colocarem em suas mesas o arroz com feijão de cada dia. O engraçado, é, que pouco se fala e menos ainda se faz por esse profissional.

É triste constatar que, mesmo lutando como um bravo, o empresário brasileiro quase sempre é deixado ao Deus dará. Pena que a nossa realidade seja essa, a do descaso, do abandono e do sofrimento. Pena que vários postos de trabalho não possam ser criados e que o desemprego continue galopante. Ainda bem que nós não deixamos de ter fé !!!

sábado, julho 01, 2006

show do Blue Bell ...

Esse segundo show me fez lembrar a época do Prima Causa, minha antiga banda. Tocávamos quase todo final de semana e, estávamos sempre correndo de um lado para o outro agendando shows e acertando novas datas com produtores e donos de casas noturnas. A internet ainda engatinhava e não existiam sites, blogs ou comunidades virtuais. O nosso trabalho era baseado na divulgação entre os amigos e através de zines e filipetas distribuidas em shows pela cidade. Foi um período bastante divertido em que aprendemos muito com todas as adversidades que encontramos pelo caminho. Apanhamos com erros de produção e aprendemos a conduzir as coisas da nossa própria forma . Pena, que tudo terminou. Ficaram as amizades, as boas lembranças e a certeza de que vale a pena lutar por um grande sonho.

Bem, voltando ao Blue Bell, ou melhor, ao segundo show, o clima era de embalo. Havíamos tocado há poucos dias no 92 Graus e estávamos super empolgados com a idéia de que uma agenda estava sendo formada. Fora esse show, mais duas datas já estavam sendo acertadas. No entanto, essa apresentação nos fez ver o quanto tínhamos que mudar o rumo do trabalho para que as coisas viessem a acontecer da maneira como sempre desejamos. Por mais que as músicas falem por si só - na nossa opinião, é claro - a necessidade de uma produção se fez presente. Vi o quanto só nós escutávamos os arranjos das músicas com clareza. Percebi que o formato que nós havíamos escolhido para as apresentaçãoes, jamais funcionaria na prática. Ficou clara a necessidade de mudança. Outra coisa que ficou clara, é que nós não podemos sair por ai tocando com bandas totalmente díspares. Essa noite me fez lembrar de dois shows antológicos e inusitados. Ambos, inclusive, foram realizadas no Rock'n Rio. O primeiro, aconteceu quando o Erasmo Carlos foi bombardeado por um mar de vaias orquestradas pelos metaleiros no 1o Rock'n Rio. Tornou-se impossível a apresentação dele. O cara foi simplesmente massacrado por um público que estava ávido por ouvir heavy metal. Outra apresentação que ficou marcada pelo erro grotesco da produção foi a noite em que o Lobão se apresentou junto com a bateria da Mangueira em um dia dedicado ao metal. São estilos que não se afinam, propostas totalmente díspares e conceitos opostos o que torna bastante difícil a relação entre esses públicos. Por isso, selecionar os shows é algo que faremos daqui para frente. Não que haja algum tipo de preconceito da nossa parte, mas, para o público, muitas vezes se torna chato ter que assistir ao show de uma banda com um estilo totalmente diferente daquele que ele normalmente curte.

O show em si, foi bem mais tranquilo e produtivo do que o anterior. Não me perdi no meio de comentários extensos e observações descabidas. Concentrei-me apenas nas músicas. Precisava ouvi-las sem influências externas. O alcool, na primeira apresentação que fizemos, me tirou todo e qualquer senso crítico. Não conseguia lembrar com nitidez dos acontecimentos passados. No entanto, para essa segunda apresentação, guardei comigo, a vontade de acertar e a necessidade de me fazer entender. Não podia cometer os erros anteriores nem tampouco me deixar levar pela ocasião. Existia uma necessidade enorme de auto conhecimento e isso só seria possível a partir do momento que eu estivesse totalmente lúcido, algo que desta vez aconteceu.

Para os próximos shows fica a certeza de muito trabalho, empenho e dedicação.

segunda-feira, maio 01, 2006

o retorno ...

Dia 22 de dezembro rolou a estréia que eu tanto esperava. Depois de um longo período de inverno, voltei a pisar em um palco e a participar de um show. Tudo que eu senti, foi uma enorme alegria que parecia não ter fim. Em vários momentos, cheguei a pensar que isso não voltaria a acontecer e que, teria que conviver com a música apenas como um espectador. Deixei para trás, toda a frustração que senti com o término do Prima Causa. Os 30 minutos, de duração do show, foram de entrega total. Precisava esquecer tudo, e o fiz. Sepultei o passado e cantei cada nova melodia com o mesmo sentimento de antes. São novos arranjos, novas idéias e sobretudo, um novo formato. Quero, e pretendo, levar adiante o mesmo e velho bom sentido de banda. No entanto, se tiver que sair por ai acompanhado apenas por minha guitarra e um monte de aparelhos eletrônicos, farei com a mesma convicção do passado. Gosto e continuo nutrindo um enorme interesse por trabalhar em grupo, mas, tenho plena consciência das dificuldades que cercam esta escolha. Tudo torna-se simples quando o resultado é algo aparente e imediato, mas, quando envolve dedicação, empenho e paciência a estória muda um pouco de figura. Hoje, lido com esta realidade com um desembaraço tão grande, que as vezes me espanto ao perceber o quanto mudei. Não tenho mais medo de arriscar, nem mesmo, de seguir sozinho por esse novo caminho.

Bem, cheguei cedo o suficiente para beber todas as cervejas que tinha direito e perceber, que isso não ajuda a melhorar o desempenho no palco. Como o meu intuito era realizar um show totalmente desprovido de qualquer tipo de glamour, relaxei e me concentrei apenas nas canções. Pude trocar figurinhas com outros músicos, conversar sobre novos shows e não mais sobre produções. Pude combinar de me apresentar em outras casas e participar de novos projetos. Pude sentir novamente a ansiedade por subir no palco. Pude esperar por um aplauso como qualquer outro músico quando termina uma canção. Pude ter a certeza de que é isso que eu realmente amo na vida. Não estou perocupado em gravar um disco e ficar famoso. Estou perocupado, sim, em colocar para fora todas as minhas idéias, emoções e fazer com que elas cheguem ao maior número de pessoas possíveis. Tenho um prazer enorme em tocar para um grupo de 10 pessoas da mesma forma, que sinto prazer em me apresentar para uma pequena multidão.

Enfim, voltei !!!

sexta-feira, abril 07, 2006

Se eu fosse você ...

Se eu fosse você, assistiria ao filme estrelado pela Glória Pires e Tony Ramos, "Se eu fosse você". Além de ser um filme leve e divertido, nos leva a uma constatação muito bacana que, o cinema nacional deixou, de uma vez por todas, para trás a imagem vulgar que carregou por longos anos. Sabemos o quanto existem filmes nacionais de excelente qualidade, apesar das produções serem extremamente precárias. Mas, aquela época era de aprendizado e pouquíssimos recursos, algo que ainda hoje impera apesar do desenvolvimento do nosso cinema. Muitos produtores ainda operam verdadeiros milagres para conseguirem colocar de pé projetos que muitas vezes ganham teias em prateleiras por falta de verbas. Investidores ainda teimam em analisar este segmento, como também os esportes, como algo que não vem a ser prioridade. Existem leis de incentivo que são pouco exploradas devido a falta de conhecimento da grande maioria. O governo, infelizmente, não divulga as leis de incentivo a cultura, o que faria, que muitos empregos fossem gerados, possibilitando assim, oportunidades em uma área que, quase sempre, consegue despertar o interesse de todos.

Voltando ao assunto ... o filme relata a troca de personalidades de um casal e os conflitos e dúvidas causados por isto. A dificil tarefa de administrar essa situação, faz muita gente morrer de rir no cinema. Apesar do ritmo de comédia, o filme pode levar a uma reflexão sobre os problemas do cotidiano. A falta de tempo, o ritmo frenético dos dias e a constante exigência que a sociedade nos impõe de que devemos ser pessoas de exito e sucesso. Mas, fiquem tranquilos, que não é nada tão explícito assim.

Enfim, assista ao filme e saia de casa com a certeza de que você terá uma noite leve e agradável. No final das contas você vai perceber o quanto é importante dedicar algum tempo ao seu lazer, mas não se esqueça de comprar a pipoca. Cinema sem pipoca não é a mesma coisa. Eu que o diga!